Menos mulheres foram assassinadas?
Mulheres assassinadas · vítimas
Número mais baixo é melhor.
O número grande é a média dos anos de cada governo.
Quem cuida de quem
Grupo a grupo: o que aconteceu nos quatro anos de Bolsonaro, o que mudou com Lula e o que Flávio já disse ou votou sobre o assunto. Dados apurados até 14 de outubro de 2026.
2019–2022
O Ministério da Saúde alterou duas vezes, em agosto e setembro de 2020, as regras do aborto previsto em lei no SUS; a portaria final manteve a entrega de evidências do crime de estupro à autoridade policial.
O Brasil assinou o Consenso de Genebra, declaração internacional contrária ao aborto e em defesa do papel da família.
Bolsonaro vetou a distribuição gratuita de absorventes prevista na lei de saúde menstrual; o Congresso derrubou o veto em março de 2022 (64 a 1 no Senado; 425 a 25 na Câmara).
Segundo o Inesc, os gastos com o Ligue 180 caíram 41% ao longo dos quatro anos e nada foi gasto com a Casa da Mulher Brasileira em 2019.
2023–2026
Em nota conjunta de quatro ministérios, entre eles o das Mulheres, o governo retirou o Brasil do Consenso de Genebra, afirmando que o texto tinha "entendimento limitativo dos direitos sexuais e reprodutivos e do conceito de família".
Lula sancionou a lei de igualdade salarial, que obriga empresas com 100 ou mais empregados a publicar relatórios semestrais de transparência salarial e aumenta a multa por discriminação.
Lula sancionou, sem vetos, a lei que tornou o feminicídio crime autônomo, com pena de 20 a 40 anos.
Em comício no Recife, disse que, se eleito, indicará ao STF ministros "contra o aborto, contra as drogas, que respeitem a Constituição".
Promete tornar obrigatórios planos de igualdade salarial nas empresas, apoiar a inserção das mulheres no trabalho e ampliar o planejamento reprodutivo e a saúde da mulher no SUS; cita a garantia de direitos sexuais e reprodutivos.
Mulheres assassinadas · vítimas
Número mais baixo é melhor.
O número grande é a média dos anos de cada governo.
2019–2022
O governo nomeou Sérgio Camargo para presidir a Fundação Cultural Palmares. Um juiz federal suspendeu a nomeação em 4 de dezembro de 2019, citando publicações do nomeado; o STJ depois o manteve no cargo.
Portaria da Fundação Palmares limitou a lista de personalidades negras a homenagens póstumas, o que levou à retirada de nomes de pessoas vivas.
Segundo levantamento do Inesc, os recursos federais para ações de igualdade racial caíram de R$ 18,2 milhões em 2019 para R$ 3 milhões em 2020 e R$ 231,1 mil em 2021.
2023–2026
O governo recriou o Ministério da Igualdade Racial, com Anielle Franco como ministra. Na cerimônia de posse, em 11 de janeiro, Lula sancionou a lei que equipara a injúria racial ao crime de racismo.
Decreto reservou a pessoas negras ao menos 30% dos cargos em comissão e funções de confiança do Executivo federal. No mesmo ato foram anunciados o programa Aquilomba Brasil e o Plano Juventude Negra Viva.
Lula sancionou a atualização da Lei de Cotas no ensino federal, que incluiu quilombolas e reduziu de 1,5 para 1 salário mínimo por pessoa a renda máxima da cota social.
Lula sancionou a lei que elevou de 20% para 30% a reserva de vagas em concursos federais e passou a incluir indígenas e quilombolas, além de pessoas pretas e pardas.
No Senado, apresentou recurso que levou ao plenário o projeto de cotas raciais em concursos públicos e propôs emenda para trocar a reserva racial por 20% das vagas para pessoas com renda familiar de até 1,5 salário mínimo, metade delas para mulheres. O projeto foi aprovado em votação simbólica.
No mesmo pronunciamento, afirmou que cotas sociais "são muito mais justas e atendem aos pobres como um todo, independentemente da cor da pele", criticou a extensão das cotas raciais nas universidades e anunciou projeto para reservar o acesso às universidades públicas a alunos de escolas públicas.
Coloca o combate ao racismo no centro da estratégia de desenvolvimento, com regulamentação do Estatuto da Igualdade Racial, continuidade das cotas e educação para relações étnico-raciais.
E o plano de Flávio? Não localizamos nenhuma proposta sobre “Igualdade racial” no documento registrado no TSE.
Taxa de homicídios de pessoas negras · por 100 mil
São os assassinatos para cada 100 mil pessoas negras. Número mais baixo é melhor. Compare com o cartão das pessoas não negras.
O número grande é a média dos anos de cada governo.
Taxa de homicídios de pessoas não negras · por 100 mil
São os assassinatos para cada 100 mil pessoas não negras. Número mais baixo é melhor.
O número grande é a média dos anos de cada governo.
2019–2022
O MEC publicou a Portaria nº 545, assinada pelo ministro Abraham Weintraub, que revogava a Portaria Normativa nº 13/2016, a qual pedia às instituições federais planos de inclusão de negros, indígenas e pessoas com deficiência na pós-graduação. Em 23/06/2020, o ministro interino Antonio Paulo Vogel tornou a Portaria nº 545 sem efeito.
Em 2022, o MEC ofereceu 2 mil novas bolsas do Programa Bolsa Permanência para uma lista de 5.278 estudantes que pediram o auxílio; com elas, o programa passou a ter 10.785 bolsistas (eram 24.523 em 2016), segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação. A bolsa era de R$ 900 por mês para indígenas e quilombolas.
2023–2026
O governo anunciou reajuste de bolsas de estudo e pesquisa. A Bolsa Permanência paga a estudantes indígenas e quilombolas passou de R$ 900 para R$ 1.400 por mês a partir de março de 2023, no primeiro reajuste desde a criação do benefício, em 2013.
A Lei 14.719/2023 reabriu a renegociação de dívidas do Fies para contratos firmados até o fim de 2017 com parcelas vencidas e não pagas até 30 de junho de 2023.
Lula sancionou a Lei 14.723/2023, aprovada pelo Congresso, que reformulou a Lei de Cotas no ensino federal: o limite de renda caiu de 1,5 para 1 salário mínimo por pessoa, quilombolas foram incluídos, cotistas passaram a disputar primeiro a ampla concorrência e o programa passou a ser avaliado a cada dez anos. As regras valeram a partir do Sisu 2024.
Lula sancionou a Lei 14.818/2024, que cria o Pé-de-Meia, incentivo financeiro para alunos de baixa renda do ensino médio público com família no CadÚnico, voltado à permanência e à conclusão dessa etapa (anterior ao ensino superior).
O MEC lançou o Fies Social, que permite financiar até 100% dos encargos educacionais e reserva cotas para pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência. Das 112.168 vagas do Fies anunciadas para 2025, metade foi destinada a inscritos no CadÚnico com renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa.
Lula sancionou, com vetos, a Lei 14.914/2024, que transforma o programa de assistência estudantil criado por decreto em 2010 na Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), incluindo a Bolsa Permanência. O projeto nasceu na Câmara em 2011. Entre os vetos estão a fixação em lei do valor da Bolsa Permanência e a gratuidade da alimentação.
Lula sancionou, com vetos, a Lei 15.142/2025, aprovada pelo Congresso, que reserva 30% das vagas de concursos e seleções temporárias federais a pessoas pretas e pardas, indígenas e quilombolas, no lugar dos 20% para negros da lei de 2014.
Na votação da atualização da Lei de Cotas (PL 5.384/2020) no Senado, Flávio Bolsonaro apresentou emenda de Plenário que trocava o texto por cotas apenas por renda (família com até 1,5 salário mínimo por pessoa), mantendo 50% das vagas, sem exigir ensino médio em escola pública e sem reserva para pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência. O pedido de preferência para votar a emenda, feito por Carlos Portinho, foi rejeitado por 46 votos a 24. Flávio registrou voto contrário ao projeto, que foi aprovado.
Na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Flávio Bolsonaro foi um dos senadores vencidos na aprovação do substitutivo ao PL 1.958/2021, sobre cotas em concursos federais. Em 13/05/2024, foi o primeiro signatário do recurso que levou o projeto ao Plenário.
No Plenário do Senado, Flávio Bolsonaro apresentou a Emenda 23 ao PL 1.958/2021, que reservava 20% das vagas de concursos a pessoas com renda familiar de até 1,5 salário mínimo, metade delas para mulheres. Seu requerimento de preferência para a emenda foi rejeitado por 32 votos a 29. O substitutivo, que ampliava a reserva racial para 30%, foi aprovado com voto contrário dele.
Em discurso no Plenário, Flávio Bolsonaro defendeu converter as cotas raciais em concursos em "cotas sociais, que são muito mais justas e atendem aos pobres como um todo, independentemente da cor da pele", atribuiu a desigualdade nas seleções à qualidade do ensino público e disse que apresentaria projeto para que as universidades públicas fossem acessadas somente por egressos de escolas públicas.
Promete concluir obras e novos campi, abrir novo ciclo de expansão e interiorização das universidades públicas e reforçar a assistência estudantil e a pós-graduação.
Bolsas ofertadas pelo ProUni
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Bolsas integrais ofertadas pelo ProUni
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O número grande é a média dos anos de cada governo.
Alunos com deficiência na graduação · matrículas
Parte do aumento pode vir de mais alunos declarando a deficiência. Número mais alto é melhor.
O número grande é a média dos anos de cada governo.
2019–2022
Antes de assumir, Bolsonaro declarou que não demarcaria "nenhum centímetro a mais" de terra indígena. Nenhuma terra indígena foi homologada entre 2019 e 2022.
Duas medidas provisórias transferiram da Funai para o Ministério da Agricultura a competência de demarcar terras indígenas. O Congresso rejeitou a mudança e o STF suspendeu a segunda tentativa por unanimidade, mantendo a atribuição com a Funai.
O governo enviou ao Congresso o Projeto de Lei 191/2020, para regulamentar mineração e geração de energia em terras indígenas. A Câmara aprovou a urgência em março de 2022 (279 a 180); o projeto não foi votado e foi retirado em 2023 pelo governo seguinte.
Bolsonaro sancionou, com 16 vetos, a lei do plano emergencial contra a covid-19 em territórios indígenas; entre os trechos vetados estavam o acesso a água potável, materiais de higiene e leitos hospitalares. O Congresso derrubou parte dos vetos em agosto de 2020.
Ao declarar emergência na Terra Indígena Yanomami, em janeiro de 2023, o Ministério da Saúde informou que 570 crianças haviam morrido por desnutrição e causas evitáveis nos anos anteriores e que houve 11.530 casos de malária no território em 2022.
O relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entidade ligada à Igreja Católica, contabilizou 795 indígenas assassinados nos quatro anos.
2023–2026
O governo criou o Ministério dos Povos Indígenas, com Sônia Guajajara como ministra.
O Ministério da Saúde declarou emergência em saúde pública na Terra Indígena Yanomami. Segundo a pasta, as mortes no território caíram 27,6% entre o primeiro semestre de 2023 e o primeiro semestre de 2025.
Lula homologou seis terras indígenas, as primeiras em cinco anos, e disse que pretendia demarcar todas até o fim do mandato.
Lula vetou o trecho do marco temporal na lei sobre terras indígenas aprovada pelo Congresso; o Congresso derrubou o veto em dezembro de 2023.
Votou pela derrubada do veto de Lula ao marco temporal, na sessão do Congresso em que o veto caiu por 53 a 19 no Senado.
Promete continuar demarcações e desintrusões de terras indígenas, acelerar a titulação de territórios quilombolas, implantar a Universidade Indígena e manter atenção diferenciada à saúde indígena.
2019–2022
Segundo a Comissão Pró-Índio de São Paulo, o governo emitiu títulos de partes de quatro territórios quilombolas e publicou oito portarias de reconhecimento nos quatro anos.
Em audiência no Senado, representante da coordenação nacional quilombola (Conaq) atribuiu a demora nas titulações à paralisação de processos no Incra e ao baixo orçamento.
2023–2026
O governo lançou o programa Aquilomba Brasil e entregou títulos a territórios quilombolas de Minas Gerais e Sergipe.
Segundo a Comissão Pró-Índio de São Paulo, no primeiro ano o governo expediu títulos que beneficiaram 1.163 famílias de seis territórios e concluiu etapas de 64 processos.
Lula assinou acordo de conciliação com as comunidades de Alcântara (MA), que prevê a titulação de 78.105 hectares e o reconhecimento da área atual do centro de lançamento.
Promete continuar demarcações e desintrusões de terras indígenas, acelerar a titulação de territórios quilombolas, implantar a Universidade Indígena e manter atenção diferenciada à saúde indígena.
2019–2022
A medida provisória que reorganizou os ministérios no primeiro dia de governo deixou de citar a população LGBT entre as diretrizes de direitos humanos do novo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Na estrutura anterior havia uma diretoria específica para o tema.
O Decreto 9.883 substituiu o decreto de 2010 que regia o Conselho Nacional de Combate à Discriminação: retirou do texto a referência a pessoas LGBT, que passou a falar em grupos afetados por discriminação e intolerância, e reduziu de 15 para 3 os representantes da sociedade civil.
No dia seguinte à decisão do STF que enquadrou a homofobia e a transfobia na Lei do Racismo, Bolsonaro classificou a decisão como "equivocada" e disse que o tribunal estava legislando.
2023–2026
O governo criou a Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, estrutura que não existia antes; Symmy Larrat foi nomeada para o cargo em 24 de janeiro de 2023.
O Decreto 11.471 criou o Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, com funções consultivas e deliberativas, formado por 19 representantes de ministérios e 19 da sociedade civil.
O governo convocou a 4ª Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, marcada para 2025.
O plano de governo registrado propõe "assegurar que a categoria feminina, da base ao alto rendimento, seja disputada por atletas do sexo feminino" (páginas 40 e 41). O documento não traz propostas específicas para a população LGBTQIA+.
Afirma que continuará considerando identidade de gênero e orientação sexual no desenho de políticas e combatendo a discriminação; não lista programas específicos.
E o plano de Flávio? Não localizamos nenhuma proposta sobre “População LGBTQIA+” no documento registrado no TSE.
2019–2022
O governo enviou ao Congresso projeto (PL 6.159/2019) que flexibilizava a Lei de Cotas para pessoas com deficiência nas empresas; parlamentares criticaram a proposta, que não avançou.
Decreto instituiu nova Política Nacional de Educação Especial. O STF suspendeu a norma em dezembro de 2020, por entender que ela poderia fundamentar políticas que enfraquecem a inclusão de alunos com deficiência na rede regular.
2023–2026
No primeiro dia de governo, Lula revogou o decreto de 2020 da Política Nacional de Educação Especial, que estava suspenso pelo STF.
O governo lançou o Novo Viver sem Limite, plano nacional para pessoas com deficiência com 95 ações e investimento previsto de R$ 6,5 bilhões.
Ao sancionar a lei do pacote fiscal que mudou regras do BPC, Lula vetou o trecho que exigiria deficiência de grau moderado ou grave para a concessão; o Congresso manteve o veto em dezembro de 2025.
Levantamento do Poder360 apontou que o BPC ganhou 1 milhão de beneficiários desde o início do mandato, alta de 22%.
Promete manter o plano Viver sem Limites, fiscalizar cotas de contratação, apoiar a educação inclusiva e bilíngue de surdos e ampliar centros de reabilitação.
Alunos da educação especial em classes comuns · %
Número mais alto é melhor.
O número grande é o último dado disponível de cada governo.
2019–2022
Bolsonaro vetou a Lei Padre Júlio Lancellotti, que proíbe a "arquitetura hostil" em espaços públicos; o Congresso derrubou o veto três dias depois.
Estimativa preliminar do Ipea apontou 281.472 pessoas em situação de rua em 2022, alta de 38% em relação a 2019.
2023–2026
O governo lançou o Plano Ruas Visíveis, com R$ 982 milhões previstos, depois de o STF dar prazo de 120 dias para a apresentação de um plano nacional.
Lula sancionou a lei que criou a Política Nacional de Trabalho Digno e Cidadania para a População em Situação de Rua.